
Mônaco · junho de 2026
Mônaco, de três janelas
Em Mônaco, o lugar de onde você vê a corrida decide a corrida que você vê. Por isso eu não vi duas vezes do mesmo lugar. Foram três dias, três janelas, e voltei para casa com três corridas diferentes.
Onde eu fiqueiNuma villa. No fim de semana mais barulhento do ano, ter uma casa para voltar muda tudo: o café sem pressa, a porta fechada, o silêncio entre uma corrida e uma festa.
De onde eu viUm dia, do deck de um iate no porto, com os carros passando entre os barcos e o som batendo na água. Outro, do Hôtel de Paris, de frente para a Place du Casino, onde a cidade inteira para quando eles sobem. E outro do Nikki Beach, no terraço do Fairmont, sobre o grampo, a curva mais lenta do calendário, onde o carro quase para e dá para ver o piloto trabalhar.
As noitesAs melhores after parties do fim de semana, com acesso exclusivo. Em Mônaco, as festas que contam não têm fila na porta. Têm lista.
O que eu fizNão fui sozinho. Levei um grupo, com a operação inteira montada pela WAYFARER, da villa às noites. E levei Rodrigo Bidin, que passou os dias fotografando rostos, não carros. Dali nasceu FACES OF MONACO, uma série de retratos anônimos sobre o olhar que iguala: na hora em que os carros passam, todo mundo olha para o mesmo lugar.
O que levo para vocêAs três janelas, testadas uma a uma, e as portas certas à noite. Saber de onde se vê e de onde só se ouve, qual rua fecha primeiro e como atravessar a cidade num dia de corrida.
No último dia, alguém me perguntou qual das três janelas tinha sido a melhor. Não soube responder. Em Mônaco, a melhor resposta é não precisar escolher.
Gabriel SilveiradoFundador e editor-chefe da WAYFARER

















